
OS OLHOS E O AMOR
Olhei-te e disse-te:
- Benvinda!
Não me ocorreu dizer-te outra coisa. As lágrimas correram e travaram as palavras.
Neste tempo em que partilhámos o mesmo corpo, o desejo de te olhar foi crescendo.
Desejava-te há muito. Desejava-te mesmo antes de te ter em mim.
E neste crescendo olhei-te nos meus olhos.
E neste crescendo olhámos o mundo com os meus olhos e eu olhei o mundo através dos teus olhos.
Os teus olhos vêem o mundo mais colorido e sentem as pessoas mais coloridas.
Colorido e coloridas. Sim! Porque os teus olhos são só amor e o teu amor dá cor às coisas e às pessoas!
Agora que cada uma tem o seu próprio olhar, dou por mim reencontrando esse amor tão primeiro de criança e colorindo o comum nos meus dias.
E depois olho-te...
E sei o que os teus olhos vêem... um mundo salpicado de pessoas felizes!
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Ana Paula Carvalho, Lisboa, Fev 2012